O controle e erradicação da brucelose e da tuberculose animal, vêm se destacando no cenário mundial, e recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a TUBERCULOSE com uma enfermidade em estado de emergência no mundo, sendo ainda hoje, a maior causa de morte por doença infecciosa em adultos. A OMS Estima uma prevalência de 50 milhões de infectados, com cerca de 111.000 casos novos e 6.000 óbitos ocorrendo anualmente em todo o mundo. Neste contexto o Brasil ocupa o 15° lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose. De todas as formas de tuberculose humana observada nos anos de 1980 a 2003, o Maranhão apresentou 76.027 pessoas acometidas pela doença. Segundo dados do PANAFTOSA/OPAS/OMS, a BRUCELOSE HUMANA alcançou o patamar de 29.132 casos confirmados em 20 países americanos, de 1994 a 1998. A OMS também reconhece a brucelose nos acidentes ocupacionais, e/ou como enfermidade profissional, ou seja, pessoas que trabalham com gado ou em atividades relacionadas.
O universo rural do Brasil é de 9 milhões de pessoas que trabalham na agropecuária, sem contar com os familiares, o que em macroeconomia corresponde a 33% do PIB Nacional, 44% de tudo que se exporta e 37% dos empregos do Brasil. É preciso proteger esse patrimônio, segundo o PANAFTOSA/OPAS/OMS, Para exercer vigilância em uma zona ou país, deve-se dispor de dados cadastrais, nº de animais, tipo de criação, controle de movimentação e resultados de provas epidemiológica;
BRUCELOSE BOVINA
A brucelose é uma importante zoonose para a saúde pública, em razão de seu risco ocupacional para as pessoas que trabalham na indústria de processamento de carnes, indústria de derivados lácteos, pessoas que lidam com o microrganismo em laboratório, assim como para os veterinários, empregados rurais e técnicos que trabalham em conta¬to direto com bovinos (JESUS, 2003).
A brucelose bovina é uma doença infecto¬ contagiosa crônica, caracterizada por cau¬sar abortamento no terço final da gestação e nascimento de crias fracas, após sucessi¬vos episódios de perdas fetais.
É causada por uma bactéria Cocobacillus gram negati¬vos, imóveis, não capsulados nem esporulados, aeróbias ou microaerófilas, intracelular facultativos, denominado Brucella abortus. Outras espécies do gêne¬ro Brucella, tais como ovis, suis, melitensis e canis infectam ovinos, suínos, caprinos e cães, respectivamente.
MECANISMOS DE TRANSMISSÃO
Grande quantidade de B. abortus é elimina¬da durante o aborto, parto e nas secreções uterinas de animais infectados. A transmissão ocorre por via oral - pastagem, água, leite, restos de placenta, descargas uterinas, fezes, urina (contaminados). O hábito de lamber e cheirar animais recém-nascidos/fetos aborta¬dos de outras vacas poderá determinar a infec¬ção em fêmeas anteriormente negativas.
A via aerógena - durante pastejo em am¬biente contaminado - e o sêmen contami¬nado - Inseminação Artificial ou Monta Natural- também de¬vem ser considerados como via de trans¬missão. A penetração via pele, lesada ou não, é uma importante via de transmissão para seres humanos. A via digestiva é, no entanto, a principal rota de transmissão.
Os bezerros nascidos de mães brucélicas dificilmente desenvolvem a doença, mas serão fontes de infecção pois bebem o leite e contaminam as pastagens através das fe¬zes e urina (JESUS, 2003).
FATORES DE RISCO
Os principais fatores de risco são: aqui¬sição de animais sem atestados negativos, trânsito de animais sem a realização de qua¬rentena, criações consorciadas com outras espécies (caprinos/ ovinos), ausência ou baixa taxa de vacinação, tamanho do reba¬nho (alta densidade aumenta o risco, prin¬cipalmente após aborto), demora na elimi¬nação dos animais infectados, falta de peri¬odicidade de exames e falta de sensibilidade de produtores quanto à importância do es¬tabelecimento de medidas de controle.
PATOGENIA
O período de incubação gira em tomo de 30 a 60 dias. Após penetração e multiplica¬cão., as bactérias permanecerão em diferentes órgãos, nas fêmeas migram para a placenta e testículos nos machos. Caso a fêmea não esteja prenhe, poderá ocorrer localização no úbere e nódulos linfáticos.
SINTOMAS
Em fêmeas: abortamento no terço final da gestação Natimortos, nascimento de bezerros fracos, Retenção placentária e Infertilidade temporária ou permanente.
Em machos: Orquite, Infertilidade por diminuição da qualidade espermática.
CONTROLE
Eliminação dos indivíduos infectados, aumentar o número de indivíduos re¬sistentes da população, vacinação de todas as fêmeas de 3 a 8 meses de idade (vacina viva amostra B 19) e somente adquirir animais com exames negativos.
TUBERCULOSE ANIMAL
Nos países desenvolvidos, cerca de 1% das tuberculoses são de origem bovina e nos em desenvolvimento é de 5%, um aumento significativo. É uma ameaça invisível ao ser humano;
CONTAMINAÇÃO:
Através do leite, da carne e de seus derivados oriundos do animal doente (grande risco no meio rural);
Produtos não inspecionados, abates clandestinos (moita);
Contato com pessoas doentes seja pela tosse, espirro ou falam em ambiente que as pessoas respiram
Prevalência Nacional – 1,3% - 1998 (MAPA). A tuberculose representa problema maior para o gado de leite, mas, atingem o gado de corte;
SINAIS:
Emagrecimento acentuado; aumento dos gânglios; tosse constante; respiração difícil; catarro pelas narinas; febre; pelos arrepiados; fraqueza; atraso no crescimento; baixa produção de leite e morte.
TRANSMISSÃO:
Contato direto com animais enfermos;
Corrimentos nasais, urina e secreções vaginais de animais enfermos e sêmen de reprodutores enfermos.
DIAGNÓSTICO
Para o diagnóstico indireto da tuberculose serão utilizados testes alérgicos de tuberculinização intradérmica em bovinos e bubalinos com idade igual ou superior a seis semanas.
PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE
E ERRADICACAO DA BRUCELOSE E TUBERCULOSE ANIMAL - PNCEBT
Instituído em início de 2001 pelo MAPA, normatizando as estratégias e ações pela Instrução Normativa Ministerial n°2 em 10/01/2001, no intuito de criar propriedades livres ou monitoradas para ambas as doenças.
ESTRATÉGIAS DO PROGRAMA
• Vacinação obrigatória (nacional) Bezerras entre três e oito meses de idade com vacina amostra B19;
• Cadastramento e habilitação de veterinários e credenciamentos de la¬boratórios;
• Realização dos testes diagnósticos de rotina aprovados: Antígeno acidificado tamponado (AAT), Teste do anel em leite; Testes confirmatórios: 2-mercaptoetanol e Fixação de complemento.
PARA CERTIFICAÇÃO DE PROPRIEDADES LIVRES (ADESÃO VOLUNTÁRIA)
• Para obter o certificado de proprieda¬de livre pelo MAPA, a propriedade tem as seguintes obrigações:
• Veterinário habilitado responsável pelo rebanho;
• Animais identificados individualmente;
• Vacinar todas as bezerras entre 'três e oito meses de idade com vacina (amostra B 19);
• Submeter todos os animais a testes para diagnóstico;
• Eliminar os animais positivos aos testes de diagnóstico;
• Obter três exames consecutivos negati¬vos de todos os animais;
• O 3° teste deve ser acompanhado pelo Serviço de Defesa Sanitária Animal;
• A renovação da certificação é anual.
PARA PROPRIEDADES MONITORADAS - EXCLUSIVO PARA GADO DE CORTE (ADESÃO VOLUNTÁRIA)
• Para obter o certificado de proprie¬dade livre pelo MAPA, a propriedade tem as seguintes obrigações:
• Veterinário habilitado responsável pelo rebanho;
• Animais identificados individualmente;
• Vacinar todas as bezerras entre três e oito meses de idade com vacina amostra B19;
• Os testes para diagnóstico devem ser submetidos uma amostragem aleatória dos reprodutores, (acima de 24 meses de idade);
• Eliminar os animais positivos aos testes de diagnóstico
• Obter três exames consecutivos negati¬vos
• O 3° teste deve ser acompanhado pelo Serviço de Defesa Sanitária Animal;
• Monitoramento da inspeção sanitária oficial nos frigoríficos (matadouros);
• Renovação da certificação anualmente para brucelose e a cada 2 anos para tuberculose.
Introdução de animais em propriedades Livres ou Monitoradas só serão aceitas procedentes de propriedades igual ou de maior certificação.
PARTICIPAÇÃO DE ANIMAIS EM FEIRAS E EXPOSIÇÕES:
Animais negativos em exames de brucelose e tuberculose realizados há, no máximo, 60 dias Trânsito interestadual de animais desti¬nados à reprodução - só para animais ne¬gativos para ambas as doenças.
ANIMAIS EM TRÂNSITO:
interestadual - machos e fêmeas destinados à reprodução deverão está acompanhados dos exames supra citado;
CAPACITAÇÂO:
O curso de treinamento de métodos de diagnósticos e controle da brucelose e tuberculose e Noções de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis no Estado do Maranhão tem como objetivo: baixar a prevalência e a incidência de novos casos de brucelose e de tuberculose, além de promover a qualidade dos produtos de origem animal oferecidos ao consumidor e modernizar as cadeias produtivas do leite e da carne, para isso, foram estabelecidas as parcerias entre a Superintendência Federal de Agricultura - SFA/MA, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária - AGED/MA, o Conselho Regional de Medicina Veterinária - CRMV/MA e a Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
Informações: ( 0xx98 ) 3245 2688, 3276 9451 e 3257 3676.
Coordenadores:
Sonizethe Silva Santana (AGED/MA) sonizethe@aged.ma.gov.br
Roberto Carlos Negreiros de Arruda (SFA/SEDESA/MA)ssa-ma@agricultura.gov.br)